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Como São Paulo está incorporando a Nova Mobilidade em sua rede de transporte

Este post foi publicado originalmente no TheCityFix.


Qual é a cidade do mundo com o maior número de passageiros de Uber? Não é Nova York nem a Cidade do México. É São Paulo. Uma pesquisa recente revelou que os serviços de transporte sob demanda foram o modo mais frequente para 5% da população de mais de 12 milhões de habitantes. Em uma cidade onde a média de tempo gasta nos deslocamentos diários é de duas horas, qualquer alternativa que ajude as pessoas a se moverem pela cidade é um sucesso.

No entanto, os serviços da Nova Mobilidade não têm gerado apenas impactos positivos para as cidades. Uma análise da entrada dessas empresas nas cidades dos Estados Unidos mostra que os novos serviços estão aumentando o número de carros nas ruas e provocando uma redução na quantidade de pessoas que caminham, pedalam ou usam o transporte coletivo. Essa mudança acionou o alerta no setor público em relação aos impactos de longo prazo que esses serviços podem ter nos esforços de reduzir os congestionamentos e aumentar o uso dos meios de transporte sustentáveis.

Em 2016, São Paulo se tornou a primeira cidade no Brasil a regular serviços de transporte sob demanda e promulgou diversas medidas exclusivas para ajudar a moldar o impacto desses serviços no ambiente urbano. “Nós autorizamos as empresas a operar em São Paulo de acordo com certas normas”, explica Sergio Avelleda, secretário Municipal de Mobilidade e Transporte em 2017 e 2018 e hoje diretor de Mobilidade Urbana do WRI Ross Center for Sustainable Cities.

Primeiro, a cidade instituiu uma taxa progressiva para os serviços. As empresas pagam R$ 0,10 por quilômetro rodado como uma taxa básica pelo uso do espaço público. No entanto, para desencorajar que simplesmente enchessem as ruas com quantos motoristas fosse possível, essa taxa aumenta se as empresas somarem mais de 36 mil quilômetros rodados ao longo do dia.

“Ao mesmo tempo, criamos alguns descontos para encorajar essas empresas a atingirem algumas metas públicas”, conta Avelleda. Os incentivos incluem descontos para mulheres motoristas, viagens que começam fora do centro ou dos horários de pico e para carros híbridos e elétricos.

A regulamentação de São Paulo também exige alguns requisitos para os veículos, motoristas e o serviço em si. Todos os carros precisam ter menos de oito anos, os motoristas devem passar por um treinamento de 16 horas e os aplicativos devem contar com mecanismos que permitam ao usuário deixar feedback sobre o motorista e realizar pagamento eletrônico. Uma vez que esses serviços geram um considerável volume de dados, todas as empresas operadoras devem compartilhar os dados dos deslocamentos realizados com a prefeitura, para que possam ser utilizados no planejamento urbano.

Todas as exigências da regulamentação de São Paulo estão no banco de dados de regulações da Nova Mobilidade, desenvolvido pelo WRI. Trata-se do primeiro banco de dados com esse tipo de informação, focado em mapear e analisar como as cidades do Sul Global estão regulando esses serviços. O banco inclui todas as políticas – de nível federal, estadual e municipal – de quatro países: Brasil, China, Índia e México. Até o momento, a base já mapeou mais 90 regulações, classificadas conforme 21 indicadores.

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