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Washington publicou a primeira avaliação da experiência com bicicletas e patinetes sem estação

Este post foi escrito por Sebastian Castellanos e publicado originalmente no TheCityFix.


A capital dos Estados Unidos tem sido um dos principais laboratórios para inovações de tecnologia no setor de transportes. A cidade implementou o primeiro sistema de compartilhamento de bicicletas da América do Norte e, mais recentemente, abriu espaço para última tendência de transportes: a chamada “micromobilidade”, ou veículos pequenos, como bicicletas e patinetes compartilhados que costumam ser alimentados por bateria.

Em setembro de 2017, Washington lançou um programa piloto de 15 meses, com a participação oito empresas: Bird, Jump, Lime, Lyft, Mobike, ofo, Skip e Spin. Embora inicialmente focadas em bicicletas normais, a maior parte das empresas mudou para bicicletas e patinetes elétricos no último ano. Outras suspenderam a operação na cidade, alegando que o teto do programa piloto de 400 veículos por operador estava prejudicando os negócios.

O Departamento Distrital de Transportes (DDOT) lançou recentemente sua primeira avaliação do programa, mostrando quantas pessoas utilizaram, como ele afetou o sistema de compartilhamento de bicicletas já existente na cidade e quantos acidentes foram relatados.

As boas notícias

Há muito mais pessoas andando de bicicleta e usando patinetes em Washington. Durante o período de avaliação, as empresas registraram 625 mil viagens feitas por 233.700 usuários, ou a média de 2,6 viagens por pessoa (uma ressalva importante: alguns usuários podem ter usado mais de um serviço e, portanto, foram contados duas vezes). Embora não saibamos de qual outro meio de transporte esses usuários vieram, a introdução de bicicletas sem estação não parece ter afetado significativamente o uso do sistema de compartilhamento já existente na cidade, o Capital Bikeshare. No geral, essa é uma indicação de que há mais pessoas usando meios de transporte compartilhados e ativos.

<p>A coluna azul representa o uso das bicicletas compartilhadas com estação, e as linhas cinzas mostram o uso dos patinetes e bicicletas sem estação, respectivamente. Pelo gráfico, é possível observar como os patinetes (cinza mais claro) ultrapassaram rapidamente as bicicletas compartilhadas sem estação após sua introdução no sistema, em março de 2018 (Gráfico: DDOT)</p>

A coluna azul representa o uso das bicicletas compartilhadas com estação, e as linhas cinzas mostram o uso dos patinetes e bicicletas sem estação, respectivamente. Pelo gráfico, é possível observar como os patinetes (cinza mais claro) ultrapassaram rapidamente as bicicletas compartilhadas sem estação após sua introdução no sistema, em março de 2018 (Gráfico: DDOT)

A hipótese de que o Capital Bikeshare não foi afetado pela onda de bicicletas e patinetes elétricos sem estação é reforçada pelos padrões de horário de uso dos sistemas. Os usuários do Capital Bikeshare tradicional parecem seguir um padrão de deslocamentos mais previsível, enquanto o uso dos modos sem estação (especialmente os patinetes) é mais espaçado ao longo do dia, com picos e baixas menos acentuados.

<p>As linhas mostram que as bicicletas e patinetes sem estação ainda não são tão utilizados nos horários de pico quanto os demais modos, indicando que os usuários ainda não confiam tanto nas novas alternativas como meio de transporte (Gráfico: DDOT)</p>

As linhas mostram que as bicicletas e patinetes sem estação ainda não são tão utilizados nos horários de pico quanto os demais modos, indicando que os usuários ainda não confiam tanto nas novas alternativas como meio de transporte (Gráfico: DDOT)

O relatório indica que há um forte apoio para a continuação do programa piloto. De fato, as pessoas entrevistadas relataram o desejo de ter mais veículos disponíveis e mais infraestrutura para que possam andar em segurança.

As más notícias

Uma das promessas das bicicletas e patinetes sem estação é a de poder ir a qualquer lugar, o que melhoraria o acesso à mobilidade para comunidades que atualmente não são bem atendidas pelos sistemas tradicionais. No entanto, os dados de Washington mostram pouca diferença em termos das áreas da cidade em que os sistemas são usados.

As informaçoes do DDOT indicam os que locais de início e fim das viagens são similares entre os sistemas com e sem estação, o que significa que as pessoas que não utilizavam o sistema tradicional provavelmente também não estão usufruindo das novas possibilidades. E, à medida que o piloto aumentou ao longo do ano passado, o mesmo aconteceu com o número de acidentes e lesões. Foram reportados 30 casos de acidentes e uma morte na cidade envolvendo bicicletas e patinetes sem estações.

<p>Até aqui, foram registrados 30 acidentes com feridos e uma morte durante o programa piloto de Washington. A coluna vermelha indica o total de colisçies e a coluna azul, o total de acidentes com feridos (Gráfico: DDOT)</p>

Até aqui, foram registrados 30 acidentes com feridos e uma morte durante o programa piloto de Washington. A coluna vermelha indica o total de colisçies e a coluna azul, o total de acidentes com feridos (Gráfico: DDOT)

Muitas cidades se mostraram preocupadas com as implicações dos novos sistemas em termos de segurança viária. Austin, no Texas, lançará um estudo epidemiológico com os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos para analisar o efeito desses modos.

Considerando que nos primeiros dez anos de operação da Capital Bikeshare houve apenas 95 acidentes relatados (sem mortes), e que o programa sem estações tem menos veículos e registrou menos viagens, o relatório sugere que a segurança é um sério motivo de preocupação. À medida que esses serviços chegam às ruas, cidades e empresas operadoras precisam fazer mais para entender como melhorar a segurança de ciclistas, pedestres e outros usuários. Pequenas mudanças de infraestrutura podem ser significativas.

Os poréns

Uma das principais críticas em relação à micromobilidade é o incômodo causado pela “invasão” de ruas e calçadas.

No entanto, apesar das preocupações e conflitos iniciais, as inspeções visuais realizadas pelo DDOT mostraram que apenas 10% dos veículos sem estação estavam estacionados em locais indesejáveis e, desses, apenas 3% estavam bloqueando a circulação dos pedestres.

O DDOT e algumas empresas locais aumentaram o número de paraciclos na cidade – foram instalados 400 em 2018.

Embora não pareça haver mudanças significativas na receita e nos deslocamentos realizados pelo Capital Bikeshare, o relatório menciona que 126 bicicletas do sistema foram perdidas durante o período, talvez devido à confusão dos usuários que não entenderam a diferença entre os dois sistemas.

O que outras cidades podem aprender com Washington?

Na era da Nova Mobilidade, as cidades são constantemente desafiadas por novos veículos em suas ruas. Embora a tendência de 2018 tenham sido os patinetes elétricos – em um período de apenas seis meses do programa piloto de Washington, mais de 90% das bicicletas sem estação da cidade foram substituídas por modelos elétricos e patinetes – não temos como saber o que virá a seguir.

Com o lançamento desse relatório, a cidade de Washington junta-se a outras, como Charlotte e Portland, no compartilhamento de dados com o público para ajudar a traçar um panorama mais claro do lado bom e do lado ruim da micromobilidade. Los Angeles também está trabalhando para criar seus padrões de relatórios.

Mas essa ainda é uma amostragem relativamente pequena. Gerar dados e torná-los acessíveis a todos ajudará a população, as empresas e os tomadores de decisão a entenderem o que esses novos modos podem (e não podem) fazer, servindo de subsídio para melhores decisões no futuro.

A prefeita Muriel Bowser afirma que o programa piloto de Washington continuará em 2019, quando um boom de novos veículos é esperado, assim como os esforços para analisar e avaliar os resultados. “À medida que avançamos, a contribuição recebida dos moradores é essencial para entender como esses serviços podem melhorar o deslocamento das pessoas pela cidade, onde são necessárias melhorias e como as bicicletas e patinentes se encaixam em nossos objetivos de construir uma cidade mais saudável e sustentável, com mais opções para todos”, observa ela no relatório.

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